terça-feira, 17 de abril de 2012

O surgimento do Islamismo e sua expansão


A Arábia Pré-Islâmica

A Península Arábica está localizada numa região desértica, entre o mar Vermelho e o Golfo Pérsico. A maioria de seu território é impróprio para a agricultura, composto por desertos. Sua população, durante muitos séculos, dedicou-se ao pastoreio. Do início de seu povoamento até o fim do século VI, a Arábia não possuía um poder político centralizado e se achava dividida em duas regiões distintas:

·         Arábia desértica: nesta região, que corresponde à maioria do território árabe, viviam os beduínos, tribos nômades-pastoris em constante disputa pelos oásis e poços de água; (ÁRABES DO DESERTO);

·         Arábia feliz: esta região era formada por tribos sedentárias, organizadas sob forma de clãs familiares, que, nas regiões litorâneas da Península Arábica, desenvolviam uma economia agrícola e mercantil. Nela surgiram as principais cidades árabes, verdadeiros centros comerciais como Meca e Yatreb, pontos de passagem de caravanas que ligavam o Oriente ao norte da África, Nessas cidades, sobretudo em Meca, surgiram aristocracias mercantis, formada por famílias que dominavam o comércio. Em Meca, esse papel era desempenhado pela tribo coraixita. (ÁRABES URBANOS)

 A religião da Arábia pré-islâmica também favorecia a importância da cidade de Meca. Os árabes, antes de Maomé, seguiam o politeísmo idólatra, isto é, cada tribo cultuava seus ancestrais sob forma de ídolos (imagens) que se achavam conservados na Caaba (templo) de Meca. O deus principal era Alá, simbolizado pela “pedra negra”, que, segundo eles, havia sido enviada dos céus.

Anualmente, milhares de peregrinos, oriundos de todas as regiões da Península Arábica, deslocavam-se em direção à Meca, dinamizando ainda mais o comércio e gerando uma riqueza considerável para os mercadores da cidade.


A Unificação Política: Maomé (570 - 632)

Maomé nasceu em Meca, membro de uma família pobre da tribo coraixita, e foi responsável pelo surgimento de uma nova religião, o islamismo, que garantiu a unidade política à Arábia.

Órfão muito cedo, Maomé foi criado por um avô e um tio. Até os 20 anos foi pastor, quando, então, empregou-se na caravana de uma rica viúva chamada Kadidja, com quem veio a se casar mais tarde e de quem teve uma filha. Atuando como caravaneiro, tomou contato com as duas religiões monoteístas da época: o judaísmo e o cristianismo, das quais extraiu elementos para fundar uma nova religião monoteísta.

Após um isolamento no deserto, voltou à Meca, onde, afirmando ter recebido mensagens de Deus, através do Arcanjo Gabriel, tentou divulgar sua doutrina. Dizia-se instrumento de Deus, enviado aos árabes para ensinar- lhes o caminho da salvação.

Sua doutrina condenava o politeísmo idólatra, fonte de disputas entre os árabes, e defendia o monoteísmo fundado na submissão a Alá e na leitura rigorosa do Corão, livro sagrado dos muçulmanos. O “livro santo”, o Corão, que significa “recitação”, não é uma criação de Maomé. Ele é a palavra de Deus, recitada por Maomé.

Ao divulgar sua doutrina, Maomé chocou-se com os interesses econômicos dos coraixitas de Meca que temiam que a nova religião diminuísse as peregrinações à Caaba, prejudicando assim seus negócios. Maomé foi perseguido e expulso de Meca em 622, dirigindo-se para a cidade de Yatreb, episódio conhecido como Hégira. Este acontecimento marcaria o início do calendário mulçumano.

A cidade de Yatreb, depois Medina (“a cidade do profeta”), recebeu Maomé e seus seguidores, aderindo à religião islâmica e divulgando-a entre os beduínos do deserto. Em pouco tempo, Maomé conquistou uma legião de adeptos que, em 630, se dirigiu e conquistou Meca. Conseguiu, dessa forma, impor uma única religião aos árabes, elemento determinante para a unificação política da região; Maomé, além de chefe religioso, passou a ser o chefe político dos árabes. Em 632, o profeta Maomé morreu e foi sucedido pelos Califas (seguidores do profeta).


Os preceitos do Islamismo

a)      Monoteísmo absoluto: “Não outro Deus senão Alá e Maomé é seu profeta.”;

b)      Preces diárias: Todo mulçumano deve orar cinco vezes ao dia na direção de Meca;

c)      Jejum: Todo mulçumano deve jejuar durante os dias do mês do ramadã;

d)     Obrigação social: Os mulçumanos devem dar esmolas;

e)      Peregrinação a Meca: Todo mulçumano que tiver condições deve ir ao menos uma vez na vida à cidade sagrada de Meca.

Outros preceitos estão presentes na doutrina islâmica: é proibido, por exemplo, comer carne de porco e ingerir bebidas alcoólicas. O número de esposas de cada homem é limitado: no máximo quatro.


A postura do islã frente às outras religiões

Os islâmicos fazem uma distinção entre os não-mulçumanos que praticavam religiões do Livro (religiões que pregavam um Deus único, reveladas pelos primeiros profetas: Abraão e Jesus) e os não mulçumanos que seguiam religiões politeístas, idólatras e tradicionais.

Os últimos, os infiéis, deveriam ser apresentados à religião islâmica e convencidos à conversão. No caso de não aceitarem, a guerra era a única saída. Em relação aos primeiros, a relação entre eles e os mulçumanos era boa. Cristãos e judeus poderiam, inclusive, viver em terras islâmica, ter seus templos e professar sua fé, desde que pagassem os impostos instituídos.

Muitos pensam – ou são levados erroneamente a pensar pela nossa mídia tendenciosa - que a jihad seria a “guerra santa” dos mulçumanos, mas não. Jihad significa “esforço para dar o melhor de sua capacidade”, ou seja, é seguir o Corão da melhor forma possível e crescer como pessoa. Uma prova deste respeito dos mulçumanos às demais religiões é o que veremos no próximo item: eles ocupavam novas terras, mas não impediam os nativos de manter sua religião.

A Expansão do Islamismo

Depois da Morte de Maomé, em 632, os mulçumanos iniciaram um processo de expansão militar e religiosa. O preceito do islamismo de levar sua fé a todos os povos do mundo foi um dos pilares desta expansão, mas outros fatores contribuíram: os Impérios vizinhos, Bizantinos e Sassânidas, por exemplo, estavam muito enfraquecidos.

A expansão muçulmana ampliou os domínios árabes no século VII e VIII em direção ao mar Mediterrâneo, conquistou todo o norte da África e só foi contida na Europa por Carlos Martel, do reino Franco, em 732, na batalha de Poitiers. Ainda assim, fincou raízes na Península Ibérica, de onde só foram expulsos definitivamente em 1492 pelos espanhóis. A oeste, ocupou as terras da Pérsia – atual Irã – e chegou até à Índia.

Depois de fincar raízes no norte da África entre os séculos VII e X, a religião foi sendo levada ao sul do Saara, pelas caravanas de comércio que levavam, além de seus produtos, o seu modo de vida e sua religião. Aos poucos, diversos povos foram se convertendo à nova fé. Quando os portugueses chegaram à África no século XIV, encontrou muitos povos "mouros", islamizados.

Durante quase mil anos, os árabes-muçulmanos controlaram a navegação e o comércio no Mediterrâneo, bloqueando o acesso dos europeus ao comércio com o Oriente. Essa ligação comercial ficou monopolizada por eles.

A partir de meados do século VIII, o Império Islâmico começou a dar os primeiros sinais de decadência. Inicialmente porque a dinastia Omíada, responsável pelo apogeu expansionista, foi substituída pela dinastia dos Abássidas que, disputando o poder político, acabou por promover a fragmentação do Império em Califados independentes. Por outro lado, a resistência ibérica à dominação islâmica sobre a região (Guerra de Reconquista) e o movimento das Cruzadas, iniciado no século X pelos cristãos, também contribuíram para o enfraquecimento do Império. Finalmente, os turcos- otomanos convertidos ao islamismo entraram em choque com os árabes pelo domínio do Mediterrâneo.

Essa história da islamização da África também se liga com a História do Brasil. Como diveros escravos foram trazidos de áreas atingidas pela religião islâmica, essa religião chegou deste lado do Atlântico nos navios negreiros. É por isso que, em 1835, os escravos rebelados em Salvador eram islâmicos, na Revolta dos Malês (ao lado, um trecho de um Corão encontrado em Salvador durante a revolta).

Fonte: Site "Algo Sobre" e livro "História Geral da África, vol III



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